Educação, corporativismo e gestão

A educação em Portugal parece viver em crise permanente. Muitas são as causas e muitas as receitas propostas. Na minha opinião o problema central da educação é essencialmente um problema de gestão, sobretudo de gestão do seu principal activo: os recursos humanos.

Em qualquer empresa, o factor crítico de sucesso está indexado aos talentos que consegue captar. Reter os melhores funcionários e criar uma atmosfera onde as suas capacidades possam ser aproveitadas ao máximo é o que muitas vezes dita a diferença entre a sobrevivência ou a morte. No ensino o factor humano é ainda mais crítico. Nenhum computador ou livro pode substituir o entusiasmo e a energia de um professor que sabe motivar os seus alunos e de lhes pôr um brilho nos olhos.

As máquinas são importantes mas meramente reactivas. Um bom professor é activo e incita a curiosidade, estimula a dúvida e faz acordar o desejo de saber mais. Pelo contrário um mau professor pode ter o efeito perverso contrário de matar essa curiosidade ou mesmo ditar o abandono escolar, até de alunos brilhantes. Os maus professores são um activo tóxico numa escola e, mesmo em pequeno número, se não forem removidos, acabam por destruir o esforço da equipa.

O princípio de premiar e reter os bons professores e dispensar os maus parece uma verdade insofismável de boa gestão de recursos humanos. Porém ele não se aplica às escolas. Não se aplica ao nível do recrutamento dos melhores, quer sobretudo a nível da dispensa dos piores. Uma vez contratado, um mau docente pode ficar o resto da sua vida a leccionar sem que ninguém o possa impedir.

Eu pergunto, que tipo de qualidade pode uma empresa esperar atingir se, depois de contratar alguém não o puder despedir? Já que não se pode despedir, a contratação acaba por ser o factor crítico que devia obedecer a critérios exigentes e rigorosos. Porém, não é isso que acontece. No caso do ensino secundário a contratação é um mero processo administrativo gerido por uma monstruosa máquina burocrática e a progressão salarial é feita por antiguidade. Ou seja, independentemente do seu esforço, ao olhos da administração para um professor ser bom basta ser velho. No caso do ensino superior o processo é melhor mas também com imensas deficiências, como já referi em artigos anteriores.

Não é de espantar que nas escolas a meritocracia tenha sido substituída pela burocracia. As escolas estão na mão de burocratas que mantêm o ensino aprisionado num denso e ineficiente labirinto de interesses corporativos. Os sindicatos preocupam-se em defender os “interesses dos professores” sem nunca questionar a sua qualidade ou do serviço prestado. Os administradores, directores ou responsáveis sectoriais agem mais como comissários do ex-regime soviético do que gestores de uma empresa moderna.

Não tenho dúvidas que, se as escolas fossem uma empresa, há muito estariam falidas. Mas é claro que não são, nem o devem ser. Mas o facto de não estarem obrigadas a critérios de lucro não significa que não devam ser eficientes na gestão do dinheiro público e na formação das próximas gerações. Para isso acontecer muita coisa tem de ser mudada. A mais simples e eficaz é as escolas terem o poder, e autonomia, de seleccionar os seus professores e, sobretudo, por na rua os maus professores ao mesmo tempo que recompensam os melhores. É lamentável que estejamos a formar talentos de grande qualidade e que, quase sempre, os melhores acabem por partir para o estrangeiro.

Existem milhares de ideias, projectos, tecnologia e pessoas competentes que querem lutar por modernizar a educação e elevar os standards de qualidade dos alunos. Infelizmente, enquanto não mudarmos radicalmente a organização das escolas, dando-lhes mais autonomia para que sejam geridas de uma forma moderna e eficiente, todos os esforços de pouco valerão.

Disromper o Ensino

Há cerca de 3 décadas que a tecnologia entrou na sala de aula. Não têm faltado planos de modernização com produtos e serviços para melhorar a aprendizagem: partilha de conteúdos, e-books, CDs interactivos, ferramentas de formação à distância, quadros interactivos… Porém, até agora, com pouco impacto. Depois de centenas de produtos e empresas terem tentado disromper este sector, a melhor inovação na educação ainda é … o quadro e o giz. A culpa? Um sistema educacional que teimosamente, e paradoxalmente, resiste à inovação. Apesar de todas as revoluções tecnológicas, o ensino é dos sectores que menos mudanças tem sofrido no último século. Mas uma reforma é desesperadamente necessária.

Muitos acreditam que esta reforma só será possível de implementar a partir de directivas superiores coordenadas pelo Ministério da Educação ou similar. Infelizmente, esta abordagem top-down nunca irá funcionar. Porquê? Porque as escolas não querem ser interrompidas nem intervencionadas externamente e porque os incentivos à mudança são mínimos.

Nos últimos 30 anos os gastos por aluno cresceram muito acima da inflação e o número de alunos por professor, bem como o número alunos por computador, diminui. No entanto, os resultados são os mesmos, senão piores. Algo está fundamentalmente errado. Apesar de terem mais dinheiro, mais professores e mais computadores por aluno, nenhum destes factores parece ter tido impacto no desempenho dos alunos.

A educação em Portugal é gerida por uma estrutura burocrática de uma complexidade e ineficiência assustadora. Os administradores, directores ou responsáveis sectoriais agem mais como comissários do ex-regime soviético do que gestores de uma empresa moderna. Eles não querem ser perturbados, pois para eles o essencial é manter o status-quo.

Um director tem muito pouco controle sobre os recursos na sua escola. Tudo, desde professores a livros didácticos, tem de passar pelo escrutínio de uma direcção regional ou do ministério num interminável labirinto burocrático. Qualquer inovação é tratada como um custo e não um meio para aumentar a produtividade e reduzir custos. Ninguém está interessado em inovar realmente, apenas fingir que se está a fazê-lo.

Um outro grande problema é a qualidade dos professores, quer do ensino secundário quer do ensino superior. Num país onde é quase impossível demitir um mau professor, normalmente são os melhores, ou aqueles que lutam por fazer a diferença e inovar, que acabam por sair ou ser marginalizados. Obcecados por “manter a ordem”, os directores esquecem-se que o dano que um mau professor pode produzir na formação de um aluno é enorme, ao ponto de comprometer a sua carreira profissional ou desvirtuar os seus objectivos.

Existem milhares de ideias, projectos, tecnologia e pessoas competentes que querem lutar por modernizar a educação e elevar os standards de qualidade dos alunos. Infelizmente, enquanto não mudarmos radicalmente a organização das escolas, dando-lhes mais autonomia para que sejam geridas de uma forma moderna e eficiente, todos os esforços de pouco valerão.

Por uma reforma urgente no Ensino Superior Politécnico


A mediocridade é como uma doença contagiosa, uma vez aceite nunca mais nos vemos livres dela. É uma máxima que se aplica a pessoas e a instituições. Em Portugal convivemos e toleramos demasiado a mediocridade. O resultado é visível em quase todas as áreas, sobretudo as ligadas às estruturas do Estado.

No sector do Ensino Superior esta conivência com a mediocridade é notória. Todos os anos são formados alunos, investigadores e cientistas de excelente qualidade. Estamos na média da percentagem do PIB em investimento na educação e investigação científica. Poderíamos, por isso, ter um ensino superior de excelente qualidade que reflectisse esse esforço feito na qualificação dos recursos técnicos e humanos.

Mas a verdade é que não temos. As nossas universidades estão bem longe dos lugares cimeiros nos ranking internacionais. Temos uma produção científica por doutorado abaixo da média e, em termos de patentes, estamos também muito abaixo da média. Se bem que existem excelentes cursos onde os alunos saem bem preparados para o mercado de trabalho, a maioria falha nessa missão, como mostra a elevadíssima taxa de desemprego dos recém-licenciados.

Mas se nas Universidades o problema é sério, nos Institutos Politécnicos a situação é desastrosa. Fui docente durante 10 anos no ISEP no Porto, por muitos considerado um dos melhores politécnicos do país. É o maior em termos de número de alunos inscritos e dos poucos que desenvolve alguma investigação científica com um par de grupos bastante activos.

No entanto, o que vi e assisti ao longo desses 10 anos talvez ajude a explicar algumas razões da mediocridade que grassa impune no ensino superior politécnico. Um dos grandes males, senão o maior é o nepotismo. No primeiro júri para Professor Adjunto de que fiz parte deparei-me com uma grelha de avaliação irreal. O CV dos candidatos era avaliado ao metro, sem qualquer critério de qualidade, tanto importava que publicasse num pasquim ou na Nature. Quando chegávamos à parte pedagógica surgia uma outra grelha curiosa. Se o candidato tivesse dado aulas numa universidade tinha um factor multiplicativo de 1, enquanto se tivesse dado aulas num politécnico o factor seria 2. Se tivesse sido no ISEP então teríamos um factor 3. Perante 20 candidatos, um deles com excelente curriculum, adivinhem quem ficou em 1º lugar? Einstein não teria a mínima hipótese neste concurso!

Não se pense que esta é a única escola a ter este tratamento discriminatório e ilegal. Alguns institutos politécnicos chegam ao patético de publicar concursos públicos à medida do candidato que querem colocar. Para que fique bem claro que os “de fora” não são bem vindos. Neste corporativismo generalizado quem sai penalizado é a qualidade. Não é estranhar que no meu ex-departamento de Física, com um total de cerca de 30 docentes, apenas existam 3 doutorados na área científica de Física. O pudor impede-me de referir o número de publicações científicas em revistas internacionais que são produzidas anualmente por este departamento.

Não é difícil adivinhar as consequências desta atitude hermética, não promotora da excelência, antes complacente com a mediocridade. A rígida obediência da hierarquia e a antiguidade substitui outros critérios mais compatíveis com o ensino superior, como a capacidade científica, o espírito universalista ou a capacidade empreendedora. Este não é o ambiente propício ao livre pensamento, ao saudável confronto de ideias, à abertura ao exterior, à inovação pela procura constante de ir superar os objectivos.

No caso do ISEP vi apoderar-se dos principais órgãos de chefia pessoas que foram impondo um regime de terror, que mais parecia saído de um trama palaciano da decadente monarquia francesa. Os alunos têm medo de falar por recearem represálias, os professores têm medo de contestar decisões ad-hoc impostas sem discussão prévia, os colegas expiam-se denunciando pequenas irregularidades, as pressões são constantes para não sair da linha imposta pela direcção. O cúmulo, que para mim foi algo inaudito, as entradas e saídas de docentes e alunos, em todas as salas, eram controladas ao minuto. Nem me arrisco a perguntar se não haveriam câmaras de vídeo-vigilância em pontos estratégicos ou microfones nas salas…

Neste regime ditatorial, governado com mão de ferro, é caso para perguntar: não se terá ido longe demais? No início surpreendia-me a baixíssima taxa de participação dos alunos nas aulas. Mais tarde percebi. Ouvi histórias arrepiantes de alguns alunos que foram severamente castigados (em termos de avaliação, claro está) por contestarem alguns professores. No início surpreendia-me existirem disciplinas com altas taxas de reprovação. Mais tarde percebi. A matéria era apresentada para ser decorada, não para ser compreendida. Matéria essa que, por vezes, nada tinha de relevante para o curso em questão.

Escrevo este texto em jeito de desabafo mas também de alerta. O país está a atravessar um período único na sua história. Para conseguirmos sair desta crise ímpar, reformas profundas são necessárias. O ensino superior é dos sectores mais importantes e que consome mais recursos do orçamento. Muito foi feito nos últimos 20 anos, mas é crucial levar a cabo reformas para que o dinheiro dos contribuintes tenha um uso justo e adequado. O Ensino Superior Politécnico tem certamente muitas virtudes, mas é preciso encarar de frente os seus problemas crónicos e aproveitar ao máximo as riquezas. É altura de fazer algo a bem da sanidade do ensino superior e de quem luta para o melhorar.

Cortes na educação: certo ou errado?

A educação, ensino superior e a ciência vão sofrer em 2012 cortes de financiamento do Estado da ordem dos 10%. Significa isso que o país está a desinvestir na formação dos jovens, comprometendo ainda mais o nosso desenvolvimento a longo prazo? Pelo contrário, creio que pode ser uma oportunidade para finalmente se fazerem as reformas necessárias.

            Sempre considerei que os nossos problemas estruturais não se resolvem atirando mais dinheiro sobre os mesmos. Normalmente essa é uma forma fácil de agravar ou disfarçar os problemas. E na educação tem sido precisamente isso que aconteceu nos últimos 15 anos. Aumentámos os orçamentos mas não revolvemos algumas das questões de fundo do funcionamento das escolas. O resultado está à vista: a qualidade manteve-se a níveis baixos, nalguns casos agravou-se mesmo, como comprovam os relatórios da OCDE sobre o desempenho dos nossos alunos a nível internacional.

A nível do ensino superior, nasceram escolas como cogumelos por todas as cidades e vilas deste país; como se criar uma boa universidade fosse sinónimo de construir um edifício. O número de cursos explodiu, numa oferta desajustada à procura, com muitos de qualidade duvidavel. Não havendo critérios rigorosos, andámos a enganar uma geração inteira que agora luta desesperadamente para conseguir um emprego para o qual a sua formação não os preparou.

Para mim o dinheiro do Estado é para ser visto como um investimento, não uma despesa. E como todos os investimentos, temos de ter medidas do seu retorno. Para se aferir se um investimento é rentável ou não temos de fazer benchmarking. Embora seja difícil fazê-lo, podemos recorrer a alguns números reveladores.

  1. Existem vários rankings que comparam a qualidade das universidades de todo o mundo. Dos ratings que consultei não encontrei nenhuma universidade portuguesa entre as 100 primeiras, e apenas uma constava entre as duzentas melhores num dos rankings. Muitos institutos politécnicos nem sequer aparecem entre as 1000 melhores.
  2. Nalguns casos podemos ter acesso a medidas mais exactas da actividade científica de cada departamento de forma a perceber as razões do nosso baixo ranking. Por exemplo, em http://ranking.zeit.de, comparei o departamento de física de uma universidade alemã com o departamento de física do instituto onde lecciono, durante o último ano lectivo:
Parâmetro Universidade Gotinga

ISEP

Número de docentes

34

30

Alunos

743

280

Alunos em doutoramento por professor

1.6

0.1

Artigos publicados em revistas internacionais

237

5

Citações médias por artigo

11.3

?

Patentes por cada 10 cientistas

0.5

0

Projectos financiados por

Investigador

219 000 €

0

 

  1. Em termos de despesa na educação, o nosso esforço é da ordem de 6% do Produto Nacional Bruto. Um valor muito próximo de países como a Irlanda ou a Finlândia. Teremos nós uma qualidade ao nível deste nível? Muito provavelmente não.

 

Como resolver o problema? Simples, indexar o financiamento ao desempenho das Universidades. De resto, cortar ainda mais o financiamento até este estar ao nível da qualidade do ensino prestado.

 

Armando Vieira

Steve Jobs – a magia da inovação

Recentemente a Apple tornou-se a empresa mais valiosa do mundo. Com uma capitalização bolsista de 460 mil milhões de dólares, ultrapassou a Exon-Mobil, o titã do petróleo e gás natural. 460 mil milhões de dólares é muito dinheiro, mais do dobro de toda a riqueza produzida no nosso país num ano.

Mas onde está a riqueza da Apple? Nos seus computadores? No seu software? Nos seus Iphones? No caso da Exon-Mobil é fácil perceber onde está a riqueza dado ser uma empresa gigantesca que explora plataformas petrolíferas, refinarias e distribuição de combustíveis por toda a América. E no caso da Apple, onde está a riqueza?

O ano passado, quando visitei o Silicon Valley, tive a oportunidade de entrar na sede da Apple. Dentro daquele magnífico edifício futurista em Cupertino fiz a mesma questão: o que torna esta empresa tão valiosa? Ainda não tenho resposta, mas o que me ocorre continua a ser apenas uma palavra: magia. A Apple não vende computadores, Iphones ou Ipads. Ela vende magia – ou pelo menos faz-nos acreditar nisso.

O valor da Apple não é mensurável pelas medidas contabilísticas tradicionais. É um valor que não se lê nos seus activos mas que se revela nas suas vendas. Mas será assim tão inovadora que justifique este valor? Por exemplo, a tecnologia do Ipod já existia muito antes da Apple ter lançado o seu produto. O conceito do Ipad também tinha sido proposto por uma equipa da Universidade do Colorado.

No entanto, foi preciso alguém com a visão de Steve Jobs para transformar aqueles conceitos em produtos funcionais, lindos, apetecíveis e capazes de espalhar magia.            A lição é que para se criar riqueza não basta fazer coisas, ter grandes ideias ou inovar. O activo mais valioso que as empresas e países possuem não são as suas máquinas ou edifícios mas uma visão e capacitação do potencial dos seus funcionários.

Vivemos um período de grande euforia e turbulência. Os nossos filhos estão a perceber que muitos dos mitos que lhes ensinámos não passam disso mesmo. E as perspectivas não são nada animadoras. Esta crise deve-nos fazer pensar sobre o está errado na economia dos países mas que nalgumas empresas, como a Apple, está tão certo. Será que os países poderiam aprender com a empresa da maçã, ou afinal o sucesso dum e o fracasso dos outros são apenas duas faces da mesma moeda?

É repetido até a exaustão que no século XXI apenas empresas, regiões ou países inovadores irão triunfar enquanto que os outros ficaram condenados a definhar. Creio que os défices colossais, só por si, não são o maior problema dos países ocidentais. O anémico crescimento económico e o bloqueio, ou pouco estímulo, à inovação de pessoas e empresas, é sim o grande problema.

E o que é que Steve Jobs tem para ensinar neste aspecto? Aparentemente pouco: Steve foi sempre um rebelde inconformista, nunca terminou o curso e não tinha grandes contactos com pessoas influentes. Um curriculum pouco brilhante para se conseguir um trabalho nos dias de hoje. Jobs pode não ter terminado o curso, no entanto mudou o curso do mundo.

E em Portugal? Teremos nós pessoas do calibre de Steve Jobs? Seria possível nascer aqui uma Apple? A primeira pergunta respondo sim, à segunda não. Inovar é empreender, disrromper, quebrar, pensar diferente, não ter medo de falhar. É ser diferente, ter ambição, visão, e muita auto-estima. Isso são valores muito pouco cultivados entre nós. As nossas universidades preparam pessoas para serem obedientes funcionários não para serem empreendedores arrojados. Eles até podem arranjar emprego, mas o país perde o seu talento.

Tal como as pessoas, também as empresas ao envelhecer perdem a capacidade de inovar de uma forma disruptiva. A Apple luta constantemente para se manter inovadora, para surpreender. Jobs tem conseguido tornar a Apple à sua imagem: eternamente jovem, eternamente atenta ao mundo e a não ter medo de o mudar.

Portugal e a Europa tem muito a aprender com Steve Jobs.

As novas tecnologias na promoção turística: algumas ideias para Portugal

O turismo é um dos sectores mais importantes para a economia portuguesa. Os cerca de 15 milhões de turistas que visitam Portugal, representam milhares de milhões de euros de receitas. Estes viajantes são importantes consumidores de bens e serviços e podem dar um contributo impar para a recuperação económica do país. Mas mais que isso, o turista hoje é sobretudo um consumidor de informação.

A escolha do destino, da viagem, do hotel, e até do restaurante, é hoje feita a partir do PC ou do Iphone. A promoção turística é um puzzle composto de muitas peças, mas a componente tecnológica é cada vez mais um elemento fundamental. Não se percebe que se façam investimentos multimilionários em infra-estruturas de betão, hotéis e auto-estradas para receber os turistas, enquanto que as plataformas de promoção electrónicas e os seus conteúdos sejam desesperadamente incipientes, e nalguns casos inexistentes. Quando se sabe que mais de 60% dos turistas fazem a escolha do seu destino pela Internet, não se compreende como Portugal mantém os mesmos formatos electrónicos desde há vários anos, com uma qualidade, abrangência e visibilidade claramente deficitárias.

As tecnologias da informação são um factor chave na satisfação dos desejos e expectativas individualizadas. A tecnologia da informação dá a capacidade de sistematizar as operações, desenvolvendo modelos de previsão das preferências do cliente. Isto porque o turista moderno não é apenas um agente passivo que consome um produto standard. Ele é um elemento activo que cria conteúdos, avalia e participa na construção do seu produto. As empresas e operadores turísticos que ignorarem este facto estão condenadas a ver os seus clientes partirem “noutras viagens”. Portugal tem muito a fazer neste campo e tem de começar a fazê-lo já.

Temos condições excelentes para satisfazer os turistas, mas é preciso que eles saibam isso, é preciso que falem disso aos seus amigos, é preciso que partilhem conteúdos nas redes sociais. A melhor publicidade que se pode ter de um destino é aquela que é produzida, comunicada e partilhada pelos próprios turistas. Estamos na era 2.0. Gostava de propor à consideração do novo responsável pelo turismo de Portugal as seguintes medidas:

- Criação de uma base de dados actualizada e aberta com um levantamento exaustivo dos recursos turísticos nacionais (georeferenciados), descrição multi-lingue, fotos e vídeos
- Com base nessa informação, criação de guias de qualidade em vários formatos e com várias temáticas: papel, Internet, Mobile
-Melhoria substancial do site Visitportugal, tornando-o mais simples, completo, user-friendly e visível no Google (SEO).
- Melhoria da presença e visibilidade nas redes sociais, em parceria com agentes de turismo nacionais e internacionais.  Criação de uma aplicação mobile nativa (IOs, Android e Windows) a ser disponibilizada gratuitamente
-Dotar as entidades locais, sobretudo autarquias, de ferramentas próprias para efectuarem a sua promoção online e mobile
-Definição de uma estratégia para Integração com várias entidades regiões, organismos públicos, empresas, e agentes do sector para manter informação actualizada e de qualidade (ver ponto anterior)
-Usar ferramentas de crowdsourcing para a marca através de iniciativas de “word of mouth”, num sistema de open-source que permita uma melhor distribuição e utilização das ferramentas existentes.

Democracia 2.0

Estamos a viver tempos extraordinários. Comunicar, criar comunidades, partilhar notícias, pensamentos, ideias nunca foi tão fácil. Fazer revoluções também não. Bem vindos à era 2.0.

O mundo está a mudar a uma velocidade estonteante criando conflitos e rupturas próprias de um período revolucionário. Sinal dessas rupturas é o fosso que existe entre as possibilidades da tecnologia e a realidade da política. No mundo da web, sobretudo na web 2.0, os utilizadores são reis: os seus comentários são cruciais na avaliação de um produto ou serviço, as respostas às suas questões imediatas, as reclamações ouvidas.

Porém, quando nos voltamos para a nossa realidade política, o fosso não podia ser maior: as pessoas não são ouvidas, os representantes eleitos acabam por ser uns desconhecidos, o dinheiro gasto sem prestar contas, decisões importantes apresentadas como factos consumados. A única coisa nos deixam fazer é por uma cruz num papelinho a cada 4 anos, como se fossemos uns atrasados mentais.

Vivemos num mundo largamente diferente da realidade na qual nasceu o modelo político actual. As pessoas não se identificam com os partidos e os seus representantes e  poucos se revêem no modelo político-parlamentar. Mais do que ideologias, o mundo hoje rege-se por um desejo incontido de liberdade, criatividade, individualismo e interactividade. As pessoas procuram espaços de afirmação da sua individualidade, de expressar as suas ideias, a sua força criativa.

A geração actual não vive presa aos meios de comunicação em massa e os seus iluminados “opinion makers”. Vivemos numa sociedade diversificada, fragmentada de micro-sociedades, onde cada pessoa é um mundo, cada consumidor um mercado. Assim como a era da produção de produtos em massa teve o seu fim, também a era da informação em massa está prestes a terminar.

E revolução na política também tem os seus dias contados. As forças mono-bloco representadas por partidos, sindicatos ou federações para organizar manifestações. Este é o tempo do crowdsourcing. Os opinion makers não tem o monopólio. Democracia 2.0

Foi notável ver que uma manifestação sem lideres conseguiu mobilizar mais de 200 000 pessoas. Podemos escrever o que quisermos, mas o mundo mudou. Hoje o poder está directamente nas pessoas e a mensagem não é mais controlada nem filtrada por canais que externos.

Esta não foi uma manifestação da geração, ou gerações, à rasca. Foi um grito de revolta de um país que se sente triste, enganado e deprimido. Este foi um movimento genuíno de pessoas que estão cansadas, desiludidas e sem esperança e que querem fazer ouvir a sua voz a um regime autista. O que estamos a assistir não é só um grito de revolta. São as sementes de uma nova realidade organizativa da sociedade. A Internet, e em particular as redes sociais, a designada web 2.0, está a revolucionar a forma como as pessoas se relacionam e comunicam. Depois de transformar o e-commerce e os negócios, está ela chegou à política. Bem vindos ao mundo da Democracia 2.0. Auto-organizada, apartidária, feita pelas pessoas e não pelos “lideres de opinião”, baseada no crowdsourcing, a democracia 2.0 veio para ficar.

Os governantes que se preparem pois o mundo nunca mais vai ser o mesmo

 

Europa e Educação: história de uma morte anunciada.

A revista The Economist, num editorial já com 2 anos, tem uma perspectiva interessante sobre o ensino superior na Europa. A Europa hoje vive de mitos cada vez mais distantes da realidade. Um dos maiores talvez seja o de que é o maior centro de saber do mundo e que as suas universidades e escolas são do melhor que há.
Se é verdade que existem excelentes universidades neste velho continente, não é aqui que estão as melhores. Um ranking internacional coloca apenas 3 universidades (todas inglesas) entre as 20 melhores do mundo. Com a excepção do caso notável da Finlândia, no ensino secundário o quadro é ainda mais desanimador. Em testes de aferição aos conhecimentos de matemática e ciências, os lugares cimeiros são sistematicamente ocupados por países asiáticos. Tal não é de estranhar pois, apesar de alguns serem ainda relativamente pobres, nesses países a educação é das maiores prioridades para os pais. Ao contrário da Europa, as ciências e a engenharia são as áreas mais procuradas pelos estudantes. Só a Índia forma mais engenheiros por ano que a Europa toda. Os melhores licenciados procuram pós-graduações maioritariamente nos Estados Unidos, não na Europa.
O cenário afigura-se negro para a Europa. Já para não falar de Portugal, que neste campo deve estar quase na cauda das estatísticas. Seria bom se os europeus se dessem conta que já não são o centro do mundo, se alguma vez o foram, e que os seus países precisam urgentemente de implementar reformas draconianas para acompanhar o ritmo do progresso. Infelizmente, pelo que se vê em França ou Itália, não acredito que isso venha a ser possível a curto prazo.
Segundo o The Economist, isso só vai acontecer quando as pessoas neste velho continente cairem numa situação económica pior. Muito pior!

MyRec @Seedcamp London, January 2011

10 golden rules for entrepreneurs

 

 

 

 

 

 

 

1. People are your greatest asset – bad employees are a cancer. Get rid of them!

2. Networking/contacts/friends are key. Recruit agents are useless and expensive.

3. Build a great company/culture/product – have fun & innovate

4. Raise lots of money. You will need it! Better overspend than under.

5. Choose your VC or investor wisely. Angels are silent money, VC are sharks) – never give bank guarantees

6. Be careful of partners – start as you mean to go on- Don’t let them take advantage.

7. Don’t be afraid of taking on the US

8. Be prepared. It will be 10x harder and 10x as much money than you think.

9. Be flexible and sow lots of seeds – if you hang around long enough you will find opportunities.

10. Never, ever, EVER give up. No matter what.

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