O turismo é um dos sectores mais importantes para a economia portuguesa. Os cerca de 15 milhões de turistas que visitam Portugal, representam milhares de milhões de euros de receitas. Estes viajantes são importantes consumidores de bens e serviços e podem dar um contributo impar para a recuperação económica do país. Mas mais que isso, o turista hoje é sobretudo um consumidor de informação.
A escolha do destino, da viagem, do hotel, e até do restaurante, é hoje feita a partir do PC ou do Iphone. A promoção turística é um puzzle composto de muitas peças, mas a componente tecnológica é cada vez mais um elemento fundamental. Não se percebe que se façam investimentos multimilionários em infra-estruturas de betão, hotéis e auto-estradas para receber os turistas, enquanto que as plataformas de promoção electrónicas e os seus conteúdos sejam desesperadamente incipientes, e nalguns casos inexistentes. Quando se sabe que mais de 60% dos turistas fazem a escolha do seu destino pela Internet, não se compreende como Portugal mantém os mesmos formatos electrónicos desde há vários anos, com uma qualidade, abrangência e visibilidade claramente deficitárias.
As tecnologias da informação são um factor chave na satisfação dos desejos e expectativas individualizadas. A tecnologia da informação dá a capacidade de sistematizar as operações, desenvolvendo modelos de previsão das preferências do cliente. Isto porque o turista moderno não é apenas um agente passivo que consome um produto standard. Ele é um elemento activo que cria conteúdos, avalia e participa na construção do seu produto. As empresas e operadores turísticos que ignorarem este facto estão condenadas a ver os seus clientes partirem “noutras viagens”. Portugal tem muito a fazer neste campo e tem de começar a fazê-lo já.
Temos condições excelentes para satisfazer os turistas, mas é preciso que eles saibam isso, é preciso que falem disso aos seus amigos, é preciso que partilhem conteúdos nas redes sociais. A melhor publicidade que se pode ter de um destino é aquela que é produzida, comunicada e partilhada pelos próprios turistas. Estamos na era 2.0. Gostava de propor à consideração do novo responsável pelo turismo de Portugal as seguintes medidas:
- Criação de uma base de dados actualizada e aberta com um levantamento exaustivo dos recursos turísticos nacionais (georeferenciados), descrição multi-lingue, fotos e vídeos
- Com base nessa informação, criação de guias de qualidade em vários formatos e com várias temáticas: papel, Internet, Mobile
-Melhoria substancial do site Visitportugal, tornando-o mais simples, completo, user-friendly e visível no Google (SEO).
- Melhoria da presença e visibilidade nas redes sociais, em parceria com agentes de turismo nacionais e internacionais. Criação de uma aplicação mobile nativa (IOs, Android e Windows) a ser disponibilizada gratuitamente
-Dotar as entidades locais, sobretudo autarquias, de ferramentas próprias para efectuarem a sua promoção online e mobile
-Definição de uma estratégia para Integração com várias entidades regiões, organismos públicos, empresas, e agentes do sector para manter informação actualizada e de qualidade (ver ponto anterior)
-Usar ferramentas de crowdsourcing para a marca através de iniciativas de “word of mouth”, num sistema de open-source que permita uma melhor distribuição e utilização das ferramentas existentes.